Voluntariado, Empregos e Experiências Acadêmicas

Olá pessoal, sou a Bruna e este é um post que gostaria de compartilhar um pouco com vocês sobre minha trajetória no Canadá, particularmente em relação ao trabalho.

Se mudar para um novo país não é fácil. Se adaptar a uma nova cultura, língua e ter que lidar com a saudade da família e amigos é processo dolorido. Além de toda esta mudança, vem junto a ansiedade e preocupação de começar a estruturar e construir a nova vida.

Nosso projeto de 12 meses foi planejado da seguinte forma:

0 – 3 meses: ajuste de orçamento, moradia, conhecer a cidade, adaptação a cultura, entender o mercado de trabalho e estudar Inglês;

3 – 6 meses: estudar Inglês, cursos técnicos, procurar emprego e adaptação ao inverno;

6 – 12 meses: adaptação a cultura no mercado de trabalho, ajuste do orçamento para adaptar ao nosso estilo de vida e começar a investir em lazer.

Quando chegamos no Canadá, apesar de eu ter um nível de inglês razoável, eu era muito “trancada” e tímida para falar, o que fez que meu plano inicial fosse estudar inglês e me envolver em atividades voluntárias para “desenrolar o inglês” e também, aos poucos ir adquirindo a tão pedida “experiência Canadense”.

Pouco mais de um mês no Canadá, mais precisamente no dia 09 de Agosto de 2015, nos inscrevemos para voluntariar em um evento para a comunidade em um parque (Sunday in the Park) e basicamente ajudamos a organizar o evento (carregar mesas, cadeiras, etc.) e depois durante o evento também ajudamos a atender o pessoal.

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Neste evento conhecemos muitas pessoas legais, uma delas foi a organizadora deste evento que trabalhava para a Yonge Street Mission (YSM) Community Centre, empresa na qual futuramente, indicada por ela, apliquei para uma vaga de Assistente Administrativo (voluntário).

Em Agosto de 2015 comecei a voluntariar 2 vezes por semana na YSM ajudando com algumas tarefas administrativas e como recepcionista (o que me ajudou muito a “destravar” e perder a vergonha de falar em inglês). Fiquei trabalhando 1 ano lá como voluntária.

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Neste mesmo período, iniciei um curso (Certificate Program) no Centennial College chamado Occupation Specific Language Training in Business Marketing and Sales (Vendas e Marketing em Negócios – este curso é gratuito para residentes permanentes). As aulas eram focadas na comunicação para negócios, marketing e vendas. Estudava 2 vezes por semana presencialmente com algumas atividades online. O curso começou no final de Agosto e terminou em Dezembro, foi muito proveitoso para mim.

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Vamos falar sobre emprego remunerado agora, o que não foi nem um pouco fácil no começo…

E em Outubro de 2015 comecei a trabalhar como housekeeping (faxineira) na Air Canada Centre (arena onde jogam o Raptors/NBA, Maple Leafs/NHL e acontecem vários shows), o que nos deu uma ajuda financeira. O salário que eu recebia na época não era muito, mas pagava uma boa parte das contas.

A vida aqui no começo é cara, especialmente por causa da diferença do câmbio. Estávamos trazendo nossas economias do Brasil todo mês, então esta entrada de um “salariozinho” em valor canadense nos deu um certo ânimo.

Os primeiros meses de trabalho não foram nada fáceis, minhas shifts eram das 11h da noite às 6h da manhã (trabalhava de madrugada) e era um trabalho pesado. Eu limpava em média 15 salas executivas da arena por noite, passando aspirador, pano no chão, pano nos móveis, recolhendo lixo e, eu ainda limpava os banheiros.

As vezes me pegava pensando: “Por que eu deixei meu bom emprego no Brasil para trabalhar em um sub-emprego no Canadá?” Mesmo eu tendo em mente que era uma coisa temporária, que depois de um tempo eu arrumaria um emprego melhor e na minha área de estudo e, que tudo ficaria bem, confesso que isso me assustava um pouco e as vezes batia até um desânimo.

O subemprego pode ser uma experiência necessária para o crescimento profissional em outro país.

Nunca senti vergonha de dizer que trabalhava como housekeeping, mas o sentimento de angústia e a saudade de poder trabalhar na minha área seguidamente me assombrava.

Depois de uns 4 meses trabalhando durante a madrugada, comecei a trabalhar em algumas shifts durante os eventos, o que tornou o trabalho um pouco mais divertido, uma vez que tive a oportunidade de assistir alguns shows tais como Madonna, Adele, Gwen Stefani, Selena Gomez, Ariana Grande, Ellie Goulding, entre outros e, também alguns jogos do Maple Leafs, Raptors e até o All-Star Game da NBA, tudo isto enquanto trabalhava.

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Em junho de 2016 comecei a trabalhar na Winners Store, uma loja de departamentos. Minhas shifts eram normalmente de 6 a 7 horas, o trabalho era tranquilo, pois eu trabalhava atendendo clientes, atendendo no caixa e organizando a loja e o estoque.

Enfim, em Setembro de 2016, consegui o primeiro emprego relacionado com a minha área. Comecei a trabalhar na Woman Abuse Council of Toronto (Conselho de Mulheres Abusadas de Toronto) como Social Media and Volunteer Supporter (Assistente de Mídias Sociais e Voluntários). Este trabalho era part time (apenas 1 a 2 dias por semana), mas mesmo assim fiquei muito feliz e realizada pela oportunidade de estar finalmente começando a trabalhar na minha área.

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Fiquei mais 1 mês trabalhando nos 3 empregos (sim, 3! Hahaha), estava trabalhando na Winners Store, na Air Canada Centre a noite e na WomanACT. Fiquei exausta, foi praticamente impossível conseguir manter todos os empregos e ainda se manter saudável. Este cenário me levou a pedir demissão da Air Canada Centre.

Em Janeiro de 2017, comecei minha pós-graduação em Digital Media Marketing (Marketing em Mídias Digitais) no George Brown.

No último dia do primeiro semestre, após uma louca semana de 7 provas finais e 3 apresentações de projetos, recebi uma oferta de trabalho full-time. Isto foi em Maio de 2017, quando comecei a trabalhar na Smilegate West como CSR (Representante de Atendimento ao Cliente), foi uma alívio e uma sensação de que tudo o que eu fiz anteriormente estava dando resultado. Isto fez com que eu também pedisse demissão da Winners Store.

Hoje, finalmente, minha carreira está começando a se estruturar e estou me sentindo muito realizada. Continuo trabalhando part-time (de casa somente) para WomanACT e full-time na Smilegate West.

Quando olho para trás e vejo o que passei para chegar onde estou, vejo que continuando a trabalhar dura e com dedicação, ainda posso chegar muito longe. Não tenho como não me emocionar, só eu sei quanto sacrifício, suor e lágrimas derramei.

Se você já passou por uma experiência de trabalho no exterior parecida ou está planejando morar “fora”, acredito que o importante é ter a mente aberta para poder encarar os novos desafios tendo sempre objetivos de médio e longo prazo traçados e não perder o foco para poder alcança-los.

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5 comentários em “Voluntariado, Empregos e Experiências Acadêmicas”

  1. Oi Bruna! Belo depoimento, fico feliz de ver que seus planos estão dando certo.

    Só queria comentar uma coisa: será mesmo que podemos chamar trabalhos como o de faxina de “subemprego”? Eu acho esse conceito meio equivocado, dá a entender que alguns empregos são menos “dignos” que outros. Eu acho que toda ocupação honesta que te ajuda a crescer na vida, pagando muito ou pouco, é válida. No seu caso, as faxinas da madrugada foram um degrau importante pra você conquistar seus objetivos – isso pra mim tá mais pra “super-emprego” do que subemprego 🙂

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    1. Ola Jose, obrigado pelo retorno.
      O termo subemprego é utilizado bastante por aqui, mas para evitarmos qualquer entendimento diferente, já arrumamos o título do post!! Muito obrigada.
      O relato deixa claro que não há qualquer intenção de rebaixar os demais emprego, porém são empregos que não são em tempo integral e na área de estudo, o que torna o conceito de subemprego aqui no Canadá aplicável, mas com certeza para mim foram Super-Empregos como você comentou. 🙂

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  2. Que jornada!!!São apenas dois anos, mas apenas o seu relato já deu para perder o fôlego (empregos, estudos).Que fantástico conhecer e morar num país tão bonito como parece ser o Canadá. Parabéns a vc e ao meu amigo Lucas.Abraço.Mateus Ortiz.

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    1. Fala Mateus, meu camarada!! Obrigado pelo relato, estamos esperando uma visita tua e da tua família hein!!
      Grande Abraço.
      Lucas Leusin Oaigen

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